terça-feira, 15 de abril de 2008

sites interessantes

Oi pessoal eu passeando pelas imagens do cade achei alguns sites interessantes que repasso para vocês
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1456891,00.html
traz uma cronologia da segunda guerra, o que pode ser bem util.

http://www.icsi.berkeley.edu/~chema/republica/exilio.es.html
traz fotos sobre os exilados na Espanha

http://www.telefonica.net/web2/sgm/juno.html
traz fotos da segunda guerra

http://www2.udec.cl/~angcastr/hisfoto.htm
É um arquivo gráfico sobre a segunda guerra mundial

http://www.forosegundaguerra.com/viewtopic.php?p=29896f
É um fórum sobre a segunda guerra mundial

http://arcade.ya.com/elitea/imagenes.htm
são imagens da segunda guerra

http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br/node/683
não tem haver com nosso curso mas é um site formado por doutores em história sobre a Inquisição, eu achei interessante

terça-feira, 8 de abril de 2008

Fichamento do Livro: A Era dos Impérios 1875-1914 Capítulo 1

Eric Hobsbawm nasceu em 1917 em Alexandria, no Egito, e fez seus estudos em Viena, Berlim, Londres e Cambridge. È membro da British Academy e da American Academy of Arts and Sciences, professor visitante em diversas universidades da Europa e da América. Lecionou até aposentar-se no Birkbeck College, da Universidade de Londres. Desde então ensina na New School for Social Research, em Nova York. Ele é um historiador de tradição marxista e um de seus interesses é o desenvolvimento das tradições. Seu trabalho é um estudo da construção destas tradições no contexto da Nação-Estado. Ele argumenta que muitas vezes estas são inventadas por elites nacionais para justificar a existência e importância de suas respectivas nações.
Neste livro ele analisa quais são as transformações mais evidentes do capitalismo no decorrer dos cem anos da Revolução Francesa, contudo afirma que a prática da comemoração dos centenários foram inventados no fim do século XIX.
A hipótese defendida por ele é que o mundo passou a ser genuinamente global e a maneira de se avaliar as conquistas não são mais sob a forma de descoberta dos territórios. Para exemplificar sua hipótese Hobsbawm cita as seguintes inovações: no transporte como a ferrovia e a navegação a vapor, que diminuem as distâncias nas viagens intercontinentais ou transcontinentais; nas comunicações como o telégrafo elétrico fazendo circular as informações mais rapidamente.
Uma outra mudança é na questão demográfica, levando em conta que a população aumentou consideravelmente. Um dos fatores para esta mudança foi a emigração para outros continentes como, por exemplo, o americano, fazendo com que as populações locais desses continentes mais que triplicassem. Porém no continente africano a população quase não cresceu, e em algumas regiões houve inclusive queda populacional. Isso se devia a constante retirada da população dessas regiões em forma de tráfico.
Outra questão colocada pelo autor é o contraponto da globalização na medida em que, embora o mundo parecesse menor, estava mais dividido, principalmente na concepção econômica e industrial, aumentando as diferenças entre os paises mais ricos e os mais pobres. Para ele no século XVIII as diferenças entre as regiões do planeta não pareciam invencíveis, pois a produção de riqueza e a cultura muito se assemelhavam. O que mudou no século XIX foi a Revolução Industrial que gerou uma defasagem econômica sem precedentes na história.
Para Hobsbawm o que a Revolução Industrial traz de novo é a tecnologia que não só melhora a situação econômica dos paises, mas a política, uma vez que com tecnologia os armamentos ficam mais sofisticados fazendo com que os paises mais atrasados sejam conquistados mais rapidamente.
Para o autor no século XIX a Europa era o norte da civilização e a matriz cultural do mundo, por causa muito mais da Revolução Industrial do que da Revolução Francesa. Um exemplo citado é o de que sem a Revolução Industrial os europeus não conseguiriam conquistar a Ásia, além disso, em termos propriamente culturais os automóveis, o cinema e o rádio foram desenvolvidos primeiramente na Europa.
O que Hobsbawm define como Europa não é uma região demarcada que conhecemos hoje, mas uma extrapolação dessa região para a América do Norte e a Ásia Central que tinham sido atingidas pelo capitalismo, como os EUA. Contudo analisa que muito mais do que uma questão econômica havia também a questão cultural, pois muitas regiões da Europa como Portugal não se encontravam bem economicamente, mas não estavam de forma alguma ultrajadas, pois faziam parte de um cerne europeu. A Rússia, por exemplo, fazia parte da cultura européia, não por sua população, mas pela forma de governo tipicamente europeu.
A dinâmica do processo industrial cria a dependência dos paises mais atrasados, bem como a decadência destes, uma vez que não conseguiam competir com os produtos dos paises mais desenvolvidos, o que gera uma pobreza em massa. As teorias racistas se proliferavam nestes paises que, de acordo com cientistas, tinham que sofrer um embranquecimento da raça para então conseguir chegar ao nível dos paises desenvolvidos.
Nos paises desenvolvidos por causa da proletarização dos trabalhadores começam a aparecer os partidos com interesse de classe. Essa “esquerda”, denominação tirada da Revolução Francesa, defendia não só melhores condições de vida para os trabalhadores, mas acesso a cultura e a vida intelectual.
Uma outra observação sobre os cem anos da Revolução Francesa é que apesar de ter crescido o número de cidades, centros urbanos, o mundo desenvolvido continuava agrícola, porém essa agricultura aumentava consideravelmente sua produtividade, competindo com a dos paises atrasados.
Uma indústria que chegou rapidamente nos paises atrasados foi a metalurgia, que era tão avançada quanto nos paises desenvolvidos. Porém a mudança foi um processo muito rápido e os centros urbanos cresceram cada vez mais até chegar à dicotomia cidade/campo. O modelo de governo que se espalhou, contudo não foi o centralista francês, mas o federalista americano.
Este modelo federalista excluía grande parte da população como aborígines e mulheres, no entanto os indivíduos eram livres e iguais, não mais servos, o que se traduzia em meios jurídicos, não econômicos. Uma outra característica que se espalhou foi a questão educacional, nos paises desenvolvidos houve uma democratização do ensino, o que não ocorreu nos paises desenvolvidos.
A Industrialização apesar de tudo trouxe uma melhoria nas condições de vida das pessoas, pelo menos no que se refere aos paises desenvolvidos, um exemplo disso é o aumento da estatura humana por causa da nova dieta alimentar. A loja de departamentos ajudou sobremaneira as pessoas dos paises menos desenvolvidos devido ao preço mais baixo cobrado.
Os paises atrasados tentavam imitar o progresso dos paises desenvolvidos. A cultura burguesa se espalhou muito mais rápido do que o desenvolvimento.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A Inserção do pensamento de Marx e Descartes no advento da sociedade moderna

No período medieval, tudo era considerado espiritual, usava-se Deus para explicar todos os acontecimentos. A Igreja mantinha a coesão social, o Papa era infalível, a pobreza era vontade de Deus, bem como a ordem social. O ceticismo a este pensamento começa na Renascença. Há uma mudança de paradigma no século XVI, no período da modernidade. Esta modernidade se articula no discurso do capital e da ciência. Nos séculos XVI/XVII há o “silencio de Deus”, ou seja, a sociedade não se remete mais a Deus como uma explicação. O ser humano volta-se para a natureza humana, que em decorrência disso passa, a partir desse momento, a ser estudada.
A razão vai ocupar o lugar que até então era ocupado por Deus. Ela se transforma num princípio unificador e se aplica a todos os domínios da natureza e do mundo, inclusive o político e religioso. Assim a razão passa a ser um paradigma, uma força política. Os homens buscam a verdade na linguagem e na escrita humana, não mais na revelação divina. O pensamento reformista coloca em xeque a autoridade e os critérios de produção da verdade. As mudanças se expandem na filosofia e na ciência.
Marx faz uma ruptura com o pensamento vigente no século XIX permitindo uma nova forma de pensar o sistema capitalista de produção, mostrando como ele se constituiu. A acumulação primitiva de capital é anterior ao capitalismo, ela é um pressuposto ético, não uma diretriz econômica. O capitalismo surge com a Revolução Industrial e esta, por sua vez, pressupõe a ciência afastada da religião.
A modernidade permite a criação de uma sociedade laica, onde ocorre a separação entre a fé e a razão e esta separação só acontece com a mudança do pensamento e o advento do questionamento e do individualismo. Por isso a modernidade se identifica com o capitalismo.
Os costumes, a história de um povo, a tradição cultural, anteriormente, influenciavam a forma como as pessoas pensavam, o que acreditavam. Estes costumes e tradições começam a ser postos em xeque no advento da modernidade.
Descarte se insere nesta lógica quando propõe que Deus não é mais a certeza básica. Ele é necessário só para mostrar a existência do mundo além do próprio sujeito. Deus é a necessidade epistemológica e não mais a estrutura ontológica do mundo.
Descartes viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre protestantes e católicos na Europa. Ele viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo contraditórias. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro, é achado como ridículo, disparatado, mentira, em outros lugares.
Nesse caminhar, cada vez mais a ciência se afirma. A questão do mundo, em última análise, não é mais questão da filosofia, mas da própria ciência.
Descarte questiona o pensamento dualista (verdadeiro/falso). Para tanto sugere questionar o próprio conhecimento, método este que qualquer ciência pode utilizar. Na verdade ele quer achar um ponto de certeza no meio da dúvida. Para tanto parte do mais simples (eu sou corpo) para chegar ao mais complexo (eu sou uma coisa que pensa). È através do raciocino lógico que ele chega às certezas. Ele vê o homem como uma unidade em si.
Através desse raciocínio Descarte corrobora a teoria de que a prova da existência das coisas materiais é que elas podem ser reduzidas a códigos matemáticos, diferindo do pensamento medieval onde elas existiam, pois, Deus havia criado ou porque a Igreja dizia que existiam. Ele não questiona a criação de Deus, admite que Deus criou, mas se afastou deixando a natureza se guiar por ela mesma. Essa existência pode ser comprovada através dos códigos matemáticos.
A nova forma de organização da sociedade gera, de acordo com Descarte, um estranhamento do seu próprio “eu” levando esta sociedade a não saber mais com certeza realmente o que é e, situando-se como um ser pensante inserido neste novo contexto, onde a meta é produzir para acumular mais e mais capital.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Fichamento do livro: O século XX Volume I: O Tempo das Certezas da Formação do Capitalismo à Primeira Grande Guerra.

Francisco José Calazans Falcon é professor titular de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense. Ele escreveu este livro por volta do ano 2000.
Uma hipótese defendida pelo autor é a de que não estamos no fim da história do capitalismo, este não apresenta uma tendência á autodestruição, como foi abordada por Schumpeter, baseando-se na visão marxista.
O autor começa analisando os conceitos que estão presentes na visão capitalista, como por exemplo, o de mercado. Primeiramente ele diferencia o mercado em que as pessoas fazem compras do mercado como “campo de atividades, mais ou menos institucionais, distribuídas por variados tempos e/ou lugares, segundo objetivos e regras aceitos por todos aqueles que delas participam.”
Segundo ele a novidade que o capitalismo cria na noção de mercado é a auto-suficiência do mercado, ou seja, ele funciona independente da atuação e intenção dos indivíduos que dele participam. Essa é a concepção clássica de mercado. O autor cita A. Smith, pois este “atribui o funcionamento perfeito e imprescindível do mercado que lembra o mecanismo de um relógio, à mão invisível da providência”. Porém ressalta que há críticas a esta visão de mercado.
O comercio é a troca real das mercadorias por outras, possibilitado pela moeda, meio que permite estas trocas. Uma das funções do mercado seria regulamentar a oferta e a demanda dos produtos. Ele é um sistema de dimensões alteráveis que contém todos os mercados concretos.
Falcon critica a visão de que já existiria capitalismo ou mercado mundial capitalista no século XVI. O que realmente existia nesta época era o modo de produção capitalista como “produção visando lucro num mercado ou ainda a busca e a realização do lucro através da comercialização de mercadorias”.
Ele aborda duas interpretações possíveis para o período:
1) Tratar as disputas dos estados modernos como disputas que marcadamente visavam o lucro mercante e financeiro, como por exemplo, nos antigos sistemas coloniais. Os séculos que antecederam a Revolução Industrial são tratados como pré-capitalistas e tem uma acumulação primitiva de capital.
2) Tratar a história marcada pela produção capitalista, por modos de produção específicos, fazendo com que esta seja uma totalidade.

O autor divide sua análise em duas partes: a época pré-capitalista (séculos XV/XVI ao XVIII) e a época capitalista (XIX e XX). A época pré-capitalista se define pela predominância da agricultura, pois 80% da população vive em zona rural e a produção de bens agrícolas supera a industrial; pela precariedade do transporte que são caros e não atendem devidamente a demanda, pois são mal conservados e perigosos; pela indústria de bens de consumo, como vestuários. Este período é marcado por crise agrícola que resulta em peste e fome, porém esta crise era, segundo o autor, em sua maioria regional.
A etapa capitalista é marcada pelo predomínio da produção industrial, os transportes são cada vez mais rápidos e eficientes, tornando o mundo cada vez menor e especializado. As crises são de baixa ou de alta produção. As novas crises capitalistas têm demarcações periódicas e são assinaladas por períodos de prosperidade e depressão.
O autor argumenta que a constituição do mercado internacional envolve não só a economia, mas também a política, e a cultura que se articulam na expansão européia.
Outro conceito definido pelo autor é o termo Europa, que ele mostra ser historicamente definido. Na Idade Média o termo Europa definia os homens que seguiam o cristianismo mais especificamente que eram regidos pela Igreja Católica Romana. Com o Grande Cisma do Ocidente, os cristão gregos não eram chamados de europeus a não ser a partir das Cruzadas e da guerra de reconquista. No Ocidente o europeu se diferenciava dos muçulmanos, mas apesar da discriminação de ambos os lados, havia intensa troca comercial e cultural. Os turcos eram pouco conhecidos pelos ocidentais, por isso para o autor, eram mais propícios para a criação de mitos e lendas. Neste ponto ele ressalta a idéia de que estudamos mais a história focando a Europa do que a de nossos próprios paises.
A respeito do Império Bizantino, Falcon destaca que “a dissolução do império do Majopahit, hinduísta, no arquipélago que viria a ser a Indonésia atual, criou vários outros centros de poder rivais em termos políticos e religiosos.”
O autor enfatiza também que não havia só os reinos ou estados europeus, mas que no século XVI também estavam presentes pelo menos três grandes impérios, o chinês, o indiano e o turco, entre outras regiões importantes. Em face dessa situação a Europa ou economia do mundo européia era extremamente restrita a uma pequena área. Porém a expansão do domínio europeu levou a conquista do mercado internacional.
O termo expansão européia está, de acordo com o autor, datado pela historiografia do século XIX até metade do século XX e representava relatos de viagens e conquistas dos europeus para fora dos seus paises de origem. Está historiografia que caracteriza os habitantes como pacíficos em relação as conquistas, começa a cair em desuso principalmente depois do processo de descolonização. Termos como colônia de povoamento e exploração também passam a ser questionados, pois os circuitos mercantis regionais como, por exemplo, na África ganham importância.
A seguir o autor passa a analisar a construção dos estados modernos, mostrando a centralização por parte de príncipes e reis e o domínio sobre os senhores de terras. Aponta também a diferença na estrutura econômica que não deixando de privilegiar a aristocracia passa a dar também importância à
parte da burguesia. As conquistas territoriais envolvem tanto os burgueses como a aristocracia e a própria Igreja.
Falcon destaca que o próprio termo antigo regime foi formulado pela Revolução Francesa que queria se posicionar perante estas formas de governo, demonstrando que hoje em dia fala-se em sociedade de corte. Por conseguinte a Revolução Francesa traz prerrogativas como a liberdade individual e a idéia de nacionalismo, prerrogativas estas que estendem-se para grande parte das outras sociedades.
As viagens de cunho exploratório ou mercantil são antecedentes de uma revolução econômica ocorrida no período da Idade Média, que faz renascer as cidade. Nos séculos XV/XVI a século XVIII a história do capitalismo comercial se destacou em dois grandes circuitos: o intra-europeu e o extra-europeu. “O desenvolvimento de cada um desses circuitos obedeceu a fatores e circunstâncias mais ou menos específicos, ligados a características próprias de suas formas de inserção no mercado internacional e também as variações conjunturais.” A expansão se dividiu em dois modelos, primeiro o Português, depois o espanhol; em seguida outras nações européias se dedicaram à conquista de colônias. Com o passar dos séculos as expedições se transformaram em expedições científicas ou filosóficas.
A Revolução Industrial Inglesa marca uma nova conjuntura mundial que o autor divide em duas partes: a primeira que vai do final do século XVIII a 1870, a era do capitalismo industrial e a segunda que vai de 1870 a 1914, a era do capitalismo imperialista. Na primeira fase se constrói a oposição cidade/campo, moderno/arcaico. Nasce também o conceito de história como mestra da vida. Luta-se pela liberdade, do aspecto econômico, político e social.
Na segunda parte há uma acirração do processo de expansão que não só ocorre em forma de conquista territorial, mas também num refinamento deste processo, o qual o autor se dedica a analisar, chamando a atenção para as Américas que frequentemente são esquecidas neste período, mas que sofreram com o processo de dominação imperialista.

terça-feira, 25 de março de 2008

Fichamento da introdução do livro Tudo que é Sólido Desmancha no Ar: A Aventura da Modernidade

Marshall Berman nasceu em 1940. Ele é atualmente professor distinto de ciência política na The City College of New York e professor de graduação no Center of the City University of New York, no qual ensina filosofia política e urbanismo. Os seus trabalhos seguem uma tradição humanista, marxista e filosófica,além disso discute tendências históricas com observações pessoais.
Por volta dos anos 90 escreveu este livro. A hipótese principal defendida é que a modernidade é algo em constante mutação e contradição. De acordo com sua argumentação ser moderno, é estar em constante desintegração e renovação perpétua, dificuldade e angústia, ambigüidade e contradição. Para ele “ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promove aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor, mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos.”
Neste trabalho ele critica a hipótese de pós modernidade e a visão foucaultiana na qual enclausura a modernidade para enaltecer o presente, pois vêem a “modernidade com variações torturantes em torno dos temas weberianos do cárcere de ferro e das inutilidades humanas, cujas almas foram moldadas para se adaptar as barras”. Neste trabalho ele também pretendeu explorar e mapear as tradições que surgiram na modernidade mostrando seu dinamismo e suas contradições.
O autor apresenta a problemática ponderando que podemos estudar a modernidade ou a vida moderna a partir de diversas fontes, como os avanços científicos que abrem espaço para discutirmos nossa atuação na Terra e no próprio universo; a industrialização que ao transformar tudo em tecnologia e em mercadoria, muda a maneira do homem encarar a sua própria vida e a do outro; as novas concentrações demográficas que tiraram as pessoas da vida campestre aglomerando-as na cidade, o que altera os meios de comunicação e a própria vida social; pelos estados nacionais, que lutavam politicamente e militarmente para expandir seus domínios e manter sua soberania e sua individualidade enquanto nação. Enfim podemos dizer que há diversos olhares que nos levam a compreender a modernidade.
Ele divide a modernidade em três fases:
1a fase - vai do início do século XVI até o fim do século XVIII. Neste período a modernidade estaria nascendo, ganhando forma e vocabulário próprio;
2a fase - começa em 1790 com a Revolução Francesa. Nesta fase começa a surgir a diferença entre modernismo e modernização. As pessoas vivem numa dicotomia de vida entre os valores da revolução e os valores antigos;
3a fase – começa no século XX o processo de modernização. Há uma expansão a níveis globais da cultura, arte e pensamento.
Berman nos elucida que o primeiro escritor a usar a palavra “moderna’ foi Jean Jacques Rousseau, num de seus romances que conta a história de um jovem que sai do campo para trabalhar na cidade e escreve cartas para seu amor deixado no campo. Nestas cartas conta a “agitação e turbulência, aturdimento psíquico e embriaguez, expansão das possibilidades de experiência e destruição das barreiras morais e dos compromissos pessoais...”, que é a atmosfera da modernidade.
O autor também analisa a modernidade de acordo com a visão de Nietzsche e Marx, apesar de esclarecer que é pouco comum associarem Marx a modernidade, ao passo que Nietzsche é aceito como uma fonte moderna.
De acordo com Berman, Marx queria que as pessoas sentissem o modernismo, para tanto usava figuras como abismos, terremotos, ou seja, queriam com isso passar uma intensidade que está ainda presente na arte de hoje. Marx também analisava a contrariedade da vida moderna, mostrando que apesar dos avanços científicos, industriais e tecnológicos, se agravou a concentração de renda na mão de poucos, a desgraça e a pobreza. Porém ao invés de ver negativamente o processo moderno, Marx mostra uma saída, que é a via operaria, a qual seria capaz de superar as contradições da modernidade, através de uma revolução. Para Berman o Manifesto, escrito por Marx indica como a revolução que destronaria a burguesia é gerada pelos próprios anseios desta mesma classe, ou seja, o maior inimigo do capitalista seria um outro capitalista, já que no afã de monopolizar os bens de produção e concentrar a renda, acabaria destruindo seus iguais, porém a modernidade está em mudança constante, deixando sem resposta o futuro.
Nietzsche também analisa como é contraditória as bases da modernidade, mas uma de suas análises é sobre a vida religiosa, demonstrando que o próprio impulso cristão de busca da verdade acabou por implodir a religião, gerando uma abundância de possibilidades religiosas. Como exemplo de uma obra desse cunho o autor cita Além do Bem e do Mal. Nietzsche levanta problemas, questões que ficam sem resposta. Tal como Marx ele acredita que um novo homem poderá criar novos valores, definindo melhor a sociedade.
Para o autor o modernismo do século XX comparado ao do século XIX, prosperou. As manifestações artísticas e literárias atingiram todas as partes do mundo, porém houve também uma maior separação entre a cultura pátria e a vida pessoal. As próprias manifestações artísticas se tornaram mercadoria, sendo destinadas ao consumo em massa a nível global.
Berman compara os pensadores do século XIX com os do século XX, fazendo uma crítica aos últimos, pois estes vêem a modernidade como algo fechado que não pode ser mudado ou transformado pelo homem moderno. Como exemplo desses pensadores, o autor cita os futuristas italianos. Estes separam a modernidade das “tradições’ anteriores, as quais são chamadas de escravidão, enquanto a modernidade é a liberdade. Eles exaltam o progresso; a máquina, quase transformando o homem num ser puramente racional, sem sentimentos, ou seja, numa maquina. A fábrica seria o lugar aonde se aprenderia o comportamento racional, o controle dos sentimentos, o respeito pelo coletivo, etc. Muitas dessas idéias futuristas foram apropriadas por Mussolini.
Um outro pensador analisado pelo autor é Max Weber. Este pensa o capitalismo através dos aspectos naturais do homem. Berman cita A Ética
Protestante e o Espírito do Capitalismo. Para o autor nesta obra Weber demonstra certo ceticismo em relação ao povo, e as classes dominantes para alterar a modernidade. Contudo essa idéia weberiana de povo foi adotada de maneira negativa, por alguns pensadores, tanto de direita como de esquerda, negando completamente a capacidade do povo de se autogovernar, necessitando para este fim de dirigentes, questionando desta forma a democracia.
Nos anos de 1960 houve um crescimento do pensamento em torno do modernismo. O autor define três tendências em relação ao modernismo; modernismo afirmativo, modernismo negativo e modernismo ausente.
O primeiro modernismo parece que “é uma tentativa de libertar os artistas modernos das impurezas e vulgaridades da vida moderna.” No entanto esse modernismo foi criticado, pois não se identificava com os anseios sociais ou mesmo com sentimentos pessoais. Assim no afã de se libertar acabou por se enclausurar. Ao mesmo tempo ocorreu um modernismo revolucionário que veio como combate à tradição, ele negava os valores, mas também não construía nada de novo. Esse modernismo não analisava a força “afirmativa e positiva em relação à vida que nos grandes modernistas vem sempre entrelaçada com a sublevação e a revolta: a alegria erótica, a beleza natural e a ternura humana.” Alguns viam na arte um ideal de sociedade moderna isento de inquietações.
A visão afirmativa do modernismo foi desenvolvida em 1960, ela queria juntar as artes encorajando escritores, pintores, etc a trabalharem juntos, criando novas formas de arte. Eles se designavam pós-modernistas. Porém estes modernistas nunca desenvolveram uma “perspectiva crítica que pudesse esclarecer até que ponto devia caminhar essa abertura para o mundo moderno e, até que ponto o artista moderno tem a obrigação de ver e denunciar os limites dos poderes deste mundo”.
Nos anos 70 houve um acirramento das diferenças, concentrando a sociedade em grupos fechados e isolados, sem que de fato esse isolamento precisasse acontecer. O tema da modernidade pareceu praticamente esquecido, a pós-modernidade surge com mais força.
Bermam mostra em sua obra que o modernismo do passado está presente na nossa forma de pensar hoje, que ele é dialético, autônomo, mutável. Ele nos ajuda a compreender a vida social de hoje e o dinamismo do mundo. Retornar a modernidade de antes pode nos ajudar a criticar a modernidade de hoje, bem como tentar superar seus dilemas.